terça-feira, 5 de julho de 2016

MILCHHOF JOHANNING: CONHEÇA A FAZENDA ALEMÃ QUE VEM INOVANDO PARA SOBREVIVER À CRISE EUROPEIA

Guilherme Ristow, estagiário DEULA-Brasil
Finalizando seu programa de estágio promovido pela DEULA-Brasil, Guilherme Ristow publicou no site MilkPoint um depoimento sobre sua experiência em terras alemãs nos últimos meses. Ele reforça a experiência vivida como um diferencial em sua vida, onde vem assimilando novas tecnologias e novas formas de pensar a administração de propriedades rurais. Reproduzimos abaixo o texto, para conhecimento de nossos visitantes.

"Vivendo há quase 11 meses em uma fazenda de gado leiteiro no estado da Baixa Saxônia, cidade de Rehden, Alemanha, fui convidado a compartilhar com os leitores do MilkPoint um pouco da minha experiência e ponto de vista com relação as práticas realizadas pelo setor leiteiro alemão. Na fazenda, minhas atividades são variadas, indo desde a alimentação dos animais, ajuda na ordenha e manejo do silo, até o manejo reprodutivo, aplicação de medicamentos, casqueamento e atividades operacionais da fazenda. A propriedade produz 3.400 litros de leite por dia e no momento, 115 vacas estão em lactação, com média de 30 litros/vaca/dia. 

Todos nós sabemos das dificuldades encontradas pelos produtores da cadeia leiteira - tanto brasileira quanto internacional. Os custos para produzir um simples litro de leite são altos e vão desde produzir o alimento das vacas até os gastos com funcionários, assistência técnica veterinária, aquisição ou criação de animais para a reposição do plantel, custos operacionais da propriedade entre vários outros.  

O litro do leite vendido diretamente do fazendeiro para a leiteria custa - nesse exato momento que escrevo - pífios € 0,19 (acredite ou não, o leite está mais barato que água), tornando a lucratividade da atividade extremamente baixa. Além do alto custo de produção, desde 15 de abril de 2015, acabaram as cotas que impunham limite de litros de leite produzidos por produtor, levando muitos do setor a adquirirem novas terras e mais animais em busca de novos mercados consumidores. A nova realidade levou o continente europeu a uma "superprodução", aumentando drasticamente a oferta de produtos lácteos, despencado os preços. A situação agravou-se com a diminuição da importação de leite em pó pela China, cujo mercado era expressivo para o escoamento do produto alemão.  

Indo na contramão da realidade de muitos produtores que não conseguem ser eficientes, a fazenda Milchhof Johanning na qual eu trabalho – que possui 120 hectares 100% destinados à atividade leiteira - resolveu inovar e começou a comercializar o seu próprio leite não pasteurizado direto ao consumidor. Pelo valor de € 1,00 o litro, oferece um produto fresco, higiênico, barato e delicioso, tudo isso por um preço justo, tanto para quem compra, quanto para quem vende.  

Em termos de novidade, a máquina, que é chamada de "Milchtankstelle” (e que admiro muito!) teve um investimento inicial de € 9.000. O valor é relativamente alto, porém, ela pôde ser paga rapidamente já que uma média de 60 litros por dia é vendida. A máquina é uma forma muito interessante de elevar a rentabilidade da fazenda e, sua utilização, seria muito positiva na cadeia leiteira brasileira, mas, resta saber se nossa legislação um dia permitiria a venda do leite não pasteurizado.  

Muitos talvez estejam se perguntando como é feita a fiscalização desse leite. Ela simplesmente não acontece, pois cada produtor preza por sua dignidade e não seria do interesse deles vender algo estragado para a sua "própria vizinhança”, sendo assim, para a realidade alemã, a "Milchtankstelle" vai bem, obrigado!

Números da fazenda e estrutura física  

A fazenda possui três galpões de animais:
1) vacas em lactação;
2) final da recria e vacas não lactentes;
3) maternidade, bezerreiro, animais desmamados, enfermaria e início da recria.
 

O galpão do leite aloja 120 vacas, as quais são ordenhadas três vezes ao dia pelo sistema robótico "Sac-Insentec” (marca holandesa) e possui também um semiconfinamento durante os meses que temos oferta de pasto (primavera e verão).  

Os alimentos das vacas são servidos duas vezes ao dia. Eles são frescos e são fornecidos no período da manhã e no fim da tarde. A silagem fornecida é composta basicamente por cinco ingredientes: 63% grassilage (silagem de pastagem), 21% maissilage (silagem de milho), 9% lieschkolbenschrot (silagem de espiga do milho), 6% maismehl (grão úmido do milho) e 1% mineralfutter (mineral). A silagem de pasto usada na dieta total constitui-se de quatro espécies de pastagem, as quais se chamam Deutsches weidelgras (Lolium perenne - azevém), Wiesenschwingel (Festuca pratensis - festuca), Lieschgras (Phleum – capim timóteo) e Knaulgras (Dactylis glomerata – capim dos pomares ou dátilo), sendo a espécie predominante a “Deutsches Weidelgras” que possui características de rápido crescimento.



A recria é 100% realizada dentro da fazenda "Milchhof Johanning”. Nas duas primeiras semanas de vida os bezerros são alimentados exclusivamente com leite e depois passam a ocupar um bezerreiro coletivo com uma máquina automática de aleitamento, a qual mistura o sucedâneo à água, fornecendo leite ao animal até os 60 ou 70 dias de vida. 

Durante o pré-desaleitamento os animais consomem alimento concentrado à vontade juntamente com o feno. A área da fazenda é dividida em pastos, trigo, centeio, triticale e milho. A preparação do solo, adubação, espalhamento dos dejetos dos animais no campo e o monitoramento são realizados pelos próprios funcionários. A única fase terceirizada é a da colheita. 

O manejo reprodutivo é muito eficiente, o cio é frequentemente detectado com a ajuda do transpônder que contabiliza os picos de atividade do cio da vaca, indicando com relativa precisão a hora adequada para inseminar. O protocolo reprodutivo usado nos animais "problema" (que não são identificados nas atividades reprodutivas) é o OVYSINC, o qual apresenta resultados satisfatórios.  

Prioriza-se a primeira inseminação entre os 15 e 18 meses de idade. As vacas parem o primeiro bezerro entre os 24 e 27 meses. A média de duração da lactação é de 305 dias, secando-as 60 dias antes do parto. Durante a secagem, o alimento total fornecido é prioritariamente fibroso, fazendo com que as vacas entrem na lactação com ECC (Escore de Condição Corporal) entre 3,5-4. Três vezes por ano, todas as vacas são casqueadas e a cada 2 meses, todo o rebanho passa pelo pedilúvio de desinfecção de cascos, fazendo com que haja uma baixa incidência de problemas relacionados aos membros locomotores.


A segunda inovação que mais me impressiona no sistema implementado é o funcionamento do robô. A instalação e início das atividades custaram em torno de € 120.000, dos quais 30% do valor foram pago com o auxílio de empréstimo do governo do estado, facilitando a aquisição pelos produtores.  

O robô trabalha 24 horas por dia, ordenha duas vacas ao mesmo tempo e possui apenas um braço automático para a colocação das teteiras no animal. Um percentual de 90% das vacas é ordenhado sem a ajuda de funcionários, sendo que as vacas que não se dirigem a ordenha devem ser buscadas e encaminhadas para a mesma, demandando 3 horas de atividade diariamente - metade do tempo pela manhã e o restante no final do dia.
Há varias vantagens que o robô proporciona, entre elas, está o índice de detecção de mastite, o qual funciona com um valor formado por quatro parâmetros: condutividade do leite, presença de sangue, intervalo entre ordenhas e fluxo de leite. Todos os fatores estão relacionados com a possibilidade de alguma infecção no animal.
 

Outras vantagens ainda são a separação do leite fora dos padrões de qualidade (colostro, leite com medicamento e leite de vacas com mastite), diminuição da mão de obra, higiene e principalmente, melhora no aspecto do bem estar animal, haja vista que as vacas se dirigem para a ordenha por livre e espontânea vontade, diminuindo o estresse consideravelmente. O sistema que rege o robô está atrelado a uma porteira automática que dá acesso ao pasto (tornando o sistema um semiconfinamento nos meses quentes do ano). A porteira faz a leitura do transpônder na vaca, dando acesso a pastagem para as vacas que já foram ordenhadas, funcionando como um esquema de feed back positivo pelo leite produzido.  

A terceira e última inovação que vale ressaltar foi a construção da própria leiteria da "Milchhof Johanning", evitando assim a venda do leite por preços injustos para as leiterias concorrentes. O litro de leite que seria vendido por € 0,19, agora é transformado em iogurte, queijo, leite pasteurizado e sorvete, sendo revendido com um alto valor agregado ao consumidor.  

A realidade de muitos não permitiria o investimento em maquinário e infraestrutura para abrir sua própria leiteria, no entanto, aqui a realidade é essa, pois o preço do leite vem caindo e, para o produtor continuar competindo, ele deve encontrar saídas estratégicas para se manter no mercado. Caso contrário, apenas os produtores realmente eficientes sobreviverão".

Por Guilherme Ristow

Estudante de medicina veterinária CAV-UDESC LAGES, atualmente trabalha em uma fazenda de gado leiteiro no estado da Niedersachsen (Baixa Saxônia - Alemanha).

Acesse aqui a matéria original

segunda-feira, 16 de maio de 2016

MISSÃO TÉCNICA À ALEMANHA PROPORCIONA CONHECIMENTO SOBRE TECNOLOGIAS E ADMINISTRAÇÃO EUROPEIA


Comitiva da Missão Técnica à Alemanha, promovida pelo CRA-RS, na partida do aeroporto de Hannover
O grupo de Administradores, empresários, professores e outros profissionais que participaram da Missão Técnica realizada entre os dias 21 de abril e 02 de maio, partiu da Alemanha no último domingo (01/05), mais especificamente na cidade de Hannover. A capital da Baixa Saxônia foi quase totalmente destruída na Segunda Guerra Mundial. Muitos de seus monumentos e edifícios históricos foram reconstruídos como os originais, mas hoje a cidade é uma das mais importantes da Europa, sendo reconhecida como o centro das feiras e eventos.

No primeiro dia de Missão, a comitiva participou de uma palestra sobre a situação na Alemanha em função da imigração, onde mais de 1,5 milhões de refugiados chegaram nos últimos anos. Berlim, por exemplo, quer acelerar as expulsões de imigrantes sem status de refugiado e dificultar o reagrupamento familiar.

Visita à Prefeitura de Hannover: uma gestão pública qualificada

No sábado (23.04), os participantes visitaram a prefeitura de Hannover, conhecendo o exemplo de gestão exercido no local. O presidente do CRA-RS, administrador Valter Luiz de Lemos, destacou a importância da prefeitura da cidade que recebe uma das principais feiras de negócios do mundo, a Feira de Hannover. “A reconstrução faz parte da destruição. Vimos Hannover reconstruída depois da 2ª Guerra Mundial, isso significa uma esperança na Administração Pública, já que conseguiu se recuperar, se transformar de um destroço para uma grande metrópole”, explica. Já a conselheira federal do CRA-RS, administradora Cláudia Stadtlober, destaca a força do povo alemão na reconstrução da cidade e na forma que a transformaram em uma potência. “Hoje eles ensinam o mundo inteiro sobre gestão, sobre força e sobre trabalho”, afirma. 
Profissionais em frente à Prefeitura de Hannover
Fugindo dos protestos do Brasil para encarar protestos na Alemanha

A comitiva da Missão, ao invés de fugir dos protestos em relação à situação brasileira, enfrentou adversidades na cidade que se localiza nas margens do rio Leine. Também no sábado, milhares de pessoas protestaram na cidade contra o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), que visa impulsionar as relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos. Os atos também tiveram como alvo o Acordo Integral de Economia e Comércio (CETA), entre a Europa e o Canadá. O vice-presidente de Relações Externas do CRA-RS, administrador Rogério de Moraes Bohn, explica que os críticos temem que os tratados possam dar poderes demasiados às multinacionais, à custa dos consumidores e trabalhadores. Mais de 100 mil pessoas participaram dos protestos.

Além disso, na terça-feira (26/04), o dia foi de greve geral nos transportes provocando diversos atrasos, principalmente daqueles que estão na cidade em função da Feira. Houve uma paralisação nos aeroportos no qual a Lufthansa cancelou todos os voos intercontinentais a partir de Munique e advertiu que os voos de vários aeroportos na Alemanha também seriam afetados. A situação crítica não é exclusividade do Brasil. 
Feira Industrial de Hannover 2016: "Indústria Integrada, Descubra Soluções”

A Feira Industrial de Hannover 2016 foi aberta na noite de domingo (24/04) e se estendeu até a sexta-feira, apresentando as novidades da indústria e suas tendências. O tema "Indústria Integrada, Descubra Soluções", é explorado por diferentes setores, inclusive, pela Administração. Como uma das maiores feiras industriais do mundo, ela é especializada em automação industrial, técnica de superfície, energia, microtecnologia, pesquisa e tecnologia.

No primeiro dia de evento, houve uma ampla discussão sobre a importância da energia solar. Na Alemanha, país que tem como meta gerar energia elétrica 100% limpa, a energia eólica está começando a perder espaço para a solar, uma vez que os cata-ventos interferem na migração dos pássaros.

Conforme o vice-presidente de Relações Externas do CRA-RS, administrador Rogério de Moraes Bohn, a tecnologia para a utilização da energia solar está em evolução. Produzida em grande escala em fazendas, o país europeu já conta com um protótipo de automóvel movido pela força do sol. De acordo com engenheiros presentes no evento, daqui há dez anos será possível ver essa inovação nas ruas.

Em relação à feira, o vice-presidente da diretoria de comunicação e marketing do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Penna Rey, destaca a importância de participar de feiras internacionais para levar informação atualizada aos associados do Sindicato. “A Alemanha é um exemplo de organização. Vamos nos apropriar de vários cases para compartilhar com os demais colegas em Porto Alegre”. Nesse sentido, o diretor da Câmara de Relações Internacionais e Eventos (CRIE) do Conselho Federal de Administração (CFA), administrador Marcos Clay Lucio da Silva, fala que a Feira de Hannover é uma das maiores na área de tecnologia industrial. “No mundo que estamos vivendo hoje, onde a globalização está tomando conta de tudo, as empresas precisam estar conectadas a essas novas tecnologias, por isso é fundamental estar presente em eventos como a Feira de Hannover para absorver esse conhecimento”, ressalta. Já o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, elogiou a organização da Missão realizada pelo CRA-RS e apontou os pontos positivos do país europeu. “A Alemanha é extremamente organizada, o que falta muito no Brasil. O principal objetivo é analisarmos o que podemos levar para o nosso País”, analisa.
Hannover Messe é considerada uma das maiores feiras industriais do mundo
 Participantes da Missão à Alemanha na visita técnica à Lufthansa

Superando as expectativas do grupo participante da Missão, a visita à principal companhia aérea da Alemanha, Lufthansa, apresentou aos participantes um pouco mais sobre a história da empresa, destacando processos desde a recuperação, transformação, recondicionamento das turbinas à inovação tecnológica dos aviões. A Lufthansa é a maior companhia aérea europeia que reflete a imagem de qualidade, seriedade e excelência técnica tipicamente germânica. 
Participantes da Missão à Alemanha na visita técnica à Lufthansa
Usina de que gera energia a partir do lixo e maior produtora de leite da Alemanha são visitadas em Missão Técnica do CRA-RS

Nos últimos dias de Missão, a comitiva liderada pelo CRA-RS, visitou duas empresas cases em gestão de negócios no país europeu. Uma delas foi a EEW Energy from Waste, localizada na cidade de Hannover. É uma usina de incineração de lixo da cidade que produz energia elétrica baseada no calor gerado com a queima de impurezas. De acordo com o vice-presidente de Relações Externas do CRA-RS, administrador Rogério de Moraes Bohn, é uma forma bastante sustentável de geração de energia com um nível de emissões de resíduos muito baixo. “É lamentável que não temos esse tipo de alternativa em grande escala no Brasil, mas, certamente, é algo que promete para o futuro”, ressalta. Ele explica que a Usina foi construída há dez anos e custou cerca de 100 milhões de euros. Há um ano ela foi comprada por um grupo de chineses por aparentar ser um bom negócio. 
EEW Energy from Waste - Usina que gera energia a partir de resíduos sólidos
Outro exemplo de negócio visitado foi a maior produtora de leite da Alemanha com 700 hectares, que conta com uma ordenhadeira tipo carrossel para 80 vacas ao mesmo tempo. Além disso, são 3.300 cabeças de gado, dentre esses, 1.600 são para a produção de leite gerando mais de 60 mil litros de leite por dia. 
Ordenhadeira tipo carrossel para 80 vacas ao mesmo tempo
A Missão à Alemanha foi finalizada com muito sucesso resultando em experiências, conhecimento e exemplos de gestão aos profissionais participantes. A professora da Unisinos, administradora Luciana Meines, destaca, em relação à Feira de Hannover, a participação dos alunos apresentando projetos. “Muitas ideias que foram desenvolvidas nas universidades estavam sendo expostas na feira pelos próprios estudantes. Isso nos estimulou para incentivar os nossos alunos a começarem a se inserir mais e divulgarem seus trabalhos”, ressalta.

A missão teve apoio da Associação DEULA-Brasil, de Ijuí, e da DEULA-Nienburg, localizada no Estado da Baixa Saxônia, Alemanha. 
Fonte: CRA-RS

quarta-feira, 13 de abril de 2016

ENTIDADES DEBATEM ENERGIAS RENOVÁVEIS SOB A ÓTICA DA REALIDADE ALEMÃ

O professor Christian Bachnicke (em pé a esquerda) apresentou as principais tendências para o momento na Alemanha, em termos de energias renováveis, onde sobressai-se a energia solar
“O tema energia se torna tão relevante atualmente pelo papel que ocupa no desenvolvimento da sociedade, sendo ela hoje vital, uma vez que está presente em cada momento de nossas vidas. Porém, para que essa energia siga sendo importante para a vida, ela precisa, cada vez mais, ser sustentável”. Com essa afirmação foi aberto o Seminário Internacional Sobre Energias Renováveis – Cenários na Europa e no Brasil, realizado no dia 12 de abril, no auditório do Departamento das Ciências Exatas e Engenharias da Unijuí (DCEEng), em Ijuí. O evento foi promovido por meio de uma parceria entre a universidade, a Ceriluz e a Associação DEULA-Brasil e teve como palestrante principal o professor Christian Bachnicke, da Escola DEULA-Nienburg, da Alemanha.
Christian apresentou um panorama sobre as atuais tendências de produção e consumo de energia no país Europeu. Segundo ele, vem ocorrendo um crescimento na adoção das energias renováveis, puxadas principalmente pela energia solar. Em 2011 a energia oriunda de fontes alternativas somavam aproximadamente 20% do total da eletricidade consumida. Quando se acrescenta nesse cálculo a energia utilizada para aquecimento - Alemanha é um país de clima frio - esse percentual cai para 12,2% da energia consumida no país. O professor reforça que nos últimos cinco anos os investimentos no setor cresceram significativamente, especialmente na implantação de plantas fotovoltaicas (energia solar). “Quem produz essa energia solar não são grandes empresas, grandes concessionárias, mas pessoas privadas como eu e vocês, nos telhados de suas residências”, comentou ele para o público presente, destacando a evolução da chamada Geração Distribuída na Alemanha. 
No mesmo ano de 2011, foram investidos 16,5 bilhões de Euros na implantação de sistemas solares, recursos de consumidores que se tornaram produtores de energia. No sistema de Geração Distribuída o consumidor produz sua própria demanda e comercializa o excedente para a cooperativa ou concessionária local. O segundo maior investimento foi em energia eólica, E$ 2,95 bilhões, seguido do Biogás, com E$ 2,88 bilhões. Destaca-se ainda no cenário das energias renováveis o uso da energia geotérmica, principalmente voltada para o aquecimento de residências. 
No meio rural chama atenção o aproveitamento dos resíduos orgânicos para a produção de energia por meio de usinas de biogás. Sobressai o fato dos alemães utilizarem plantas cultivadas - como o milho em silagem - para esse objetivo, misturando-o a dejetos animais para fermentação e produção do gás metano. Esse gás possui dupla finalidade: canalização e uso na produção de calor ou queima como combustível para a produção de energia elétrica. Estima-se que 40% de toda a produção agrícola da Alemanha esteja voltada atualmente para produção de energia elétrica e combustíveis como etanol e biodiesel. No quadro apresentado por Christian, a energia solar vem apresentando crescimento acelerado, assim como o biogás, enquanto que a energia eólica apresenta ascensão lenta e a hídrica está estacionada nos mesmos patamares nos últimos anos. “A meta da Alemanha é alcançar, em 2050, uma realidade energética 80% baseada em fontes renováveis. Contudo, essa é uma meta bastante ousada, difícil de ser alcançada”, avalia Christian, que acredita em um objetivo mais modesto, algo próximo a 65%. Ele justifica, no entanto, que esses investimentos em energia renováveis são possíveis graças a subsídios oferecidos pelo governo para estimular o setor. 

Energia Hídrica – Enquanto a maioria das fontes renováveis de energia crescem na Alemanha, a energia hidrelétrica não apresenta evolução positiva. Christian explica que isso ocorre porque a Alemanha não possui rios nem área propícia para esse fim. “Os lugares próprios para produção de energia hídrica que tínhamos já foram aproveitados e os investimentos realizados atualmente no setor visam apenas a manutenção das usinas e o aprimoramento tecnológico destas”, afirma. Essa situação contrasta com a realidade brasileira, onde a matriz energética está baseada principalmente na energia a partir da água. 
Esse contraponto foi apresentado aos presentes pelo engenheiro eletricista João Fernando Costa, da Ceriluz, que apresentou a atual infraestrutura de geração de energia da Cooperativa, hoje com quatro usinas em operação e uma capacidade instalada de 25 Megawatts (MW). O engenheiro apresentou também as tendências para o setor no País e as perspectivas de novos investimentos, incluindo a possibilidade da Geração Distribuída.
O evento contou com a presença de um expressivo número de estudantes do curso de engenharia elétrica da Unijuí, colaboradores da Ceriluz e representantes de entidades e empresas locais. Ao final foi promovido um debate coordenado pelo professor Mateus Schonardie, da Universidade, onde as duas realidades apresentadas, Brasil e Alemanha, foram comparadas. 










Por: Vilson Wagner
Assessoria de Imprensa Ceriluz 

terça-feira, 29 de março de 2016

DEULA-BRASIL, CERILUZ E UNIJUÍ PROMOVEM SEMINÁRIO SOBRE ENERGIAS RENOVÁVEIS



Erlo Endruwiet, Vilson Wagner, Cátia Nehring, César Busnello e Júlio Bolacell, discutiram detalhes para a realização do Seminário, no dia 12 de abril.

Reunião realizada na tarde de quinta-feira (24.03), na reitoria da Unijuí, teve a presença da vice-reitora de Graduação, Cátia Nehring, o coordenador do curso de Engenharia Elétrica, professor Julio Bolacell, o presidente da Deula-Brasil, Erlo Endruweit, o secretário Vilson Wagner e o integrante da diretoria César Busnello. O encontro teve por objetivo dar encaminhamento à realização do Seminário Internacional de Energias Alternativas – Cenários da Europa e no Brasil.

A partir desta reunião, ficou definido que o seminário acontece no dia 12 de abril, às 19h30, no auditório do Departamento Ciências Exatas e Engenharias (DCEEng) e servirá para apresentação de experiências realizadas na Europa para obtenção de energias limpas alternativas. A palestra será ministrada pelo professor Christian Bachniker, da Deula-Nienburg e, em seguida, haverá debate com o participação de representantes da Ceriluz e da Unijuí. “O seminário servirá para começar a socializar experiências positivas do uso dessas energias na Europa, principalmente, na Alemanha, com o fim de auxiliar o desenvolvimento da nossa região”, explica César Busnello.

O seminário será realizado por meio de uma parceria entre a Unijuí, a Ceriluz e a Deula-Brasil.

Crédito: Deise Morais - Jornal da Manhã

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

DEULA-BRASIL SELECIONA ESTAGIÁRIOS QUE PARTICIPARÃO DO INTERCÂMBIO 2016/17


Estagiários realizaram prova para avaliar seus conhecimentos em agropecuária e em língua alemã.
A Associação DEULA-Brasil realizou no dia 05 de dezembro, sábado, a seleção dos estagiários para intercâmbio com a Alemanha pelo Programa de Qualificação Profissional em Agropecuária Alemã 2016/17. A seleção ocorreu no Sindicato Rural de Ijuí e contou com a presença de jovens de várias regiões do país, especialmente do interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Inicialmente os diretores da DEULA-Brasil fizeram a apresentação do programa aos presentes, tirando possíveis dúvidas. Na sequência foi administrada uma prova com o objetivo de avaliar seu conhecimento sobre agropecuária e língua alemã. Os candidatos ainda enfrentaram uma entrevista individual com os diretores da DEULA-Brasil, para analisar o perfil de cada um. 

A lista dos aprovados estará à disposição dos candidatos a partir da próxima quinta-feira, dia 10, por meio do telefone (55) 3332 2929. Ao todo foram oferecidas 30 vagas para 63 inscritos para o intercâmbio. O presidente Erlo Endruweit destaca que nem todos os inscritos compareceram e foram automaticamente eliminados. Já o grupo que se apresentou, segundo ele, foi bastante qualificado e demonstrou um grande interesse em realizar a experiência. “Vamos avaliar as provas e o perfil de cada um. Se acharmos que mais de trinta candidatos estão aptos, vamos discutir uma ampliação no número de vagas junto à DEULA-Nienburg, na Alemanha”, comenta. Ele explica que é preciso verificar o número de propriedades rurais cadastradas junto a instituição alemã, aptas a receberem os estagiários. Para Erlo, que entrevistou os candidatos, a língua alemã continua sendo um desafio, mas todos apresentaram um grande interesse em se preparar, inclusive, com muitos já realizando cursos particulares para aprender a língua.

Antes do embarque, que acontece em agosto de 2016, os selecionados participarão ainda de um seminário de preparação, quando haverá a presença de um representante da DEULA-Nienburg, na Alemanha, onde deverão comprovar que estão preparados. Os estagiários permanecerão no país europeu até julho de 2017, onde passam a viver o cotidiano de uma família em propriedade rural, participam de treinamentos na DEULA-Nienburg e frequentam a escola regular.


Presidente Erlo apresentou projeto aos candidatos.
Candidatos enfrentaram entrevista individual.