terça-feira, 16 de agosto de 2016

COMITIVA VISITA CENTRO DE PESQUISA EM ENERGIAS RENOVÁVEIS NA DINAMARCA


Representantes da Ceriluz, Luís Visioli e Dirceu Allegranzzi, no Centro de EnergiaS Renováveis, na Dinamarca
O colaborador da Ceriluz, Dirceu Allegranzzi, e o conselheiro da Cooperativa, Luís Visioli, integram a comitiva formada por oito empresários ijuienses que está na Alemanha, desde a semana passada. No último sábado, eles estiveram no Centro de Energia Risoe, em Rostkilde, na Dinamarca, onde são realizadas pesquisas voltadas para a produção de energia limpa. Ambos conversaram com o Jornal da Manhã, diretamente da Deula- Nienburg, na Alemanha. Para Allegranzi, a visita é importante no sentido de agregar mais conhecimento sobre produção de energia eólica, uma vez que a Europa tem tido progresso dentro desta área.

Além do Centro, eles visitaram uma ilha que tem energia eólica em sua totalidade, e um parque eólico em alto mar, com mais de 100 torres produzindo esse tipo de energia. Luís Vissioli conta que a Europa investe em pesquisas para substituir a energia nuclear. “Entendemos e aceitamos a possibilidade de que, com estudos, haja a possibilidade de usar muito mais a energia solar também”, completa. “A Europa não quer mais a energia nuclear, está saindo, então precisa se preparar, e todos nós precisamos, para essas energias alternativas. Aqui não se fala em energia hidráulica, mas essa também está se esgotando no mundo todo, então precisamos de pesquisas que produzam alternativas de energias limpas.”

Fonte: Jornal da Manhã

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

EMPRESÁRIO TRARÁ EXEMPLO ECOLÓGICO DA ALEMANHA


Ijuienses na visita à fábrica de papel reciclado, na cidade de Hoya, na Alemanha.
Na tarde de segunda-feira, a comitiva, formada por oito empresários ijuienses, que acompanhou a delegação da Deula-Brasil à Alemanha esteve em uma fábrica que produz papel a partir de material reciclado, em Hoya, ao Norte do País europeu. O empresário, e tesoureiro da Deula-Brasil, Rogério Braga relatou à reportagem do Jornal da Manhã, com exclusividade, o funcionamento desta indústria e quais as impressões que trará para o Brasil. Segundo Braga, a indústria recolhe papéis na Suécia, Dinamarca e Finlândia, e o material é selecionado antes de passar pela reciclagem, e produz 1,3 mil toneladas de papel por dia. O produto final serve de matéria prima para outras empresas do grupo que fabricam embalagens para a indústria alimentícia.

“A empresa é muito importante para a região e para os países ao seu redor, é ecológica e importante para o meio ambiente. Se não tivesse essa empresa aqui poderíamos ver outro tipo de realidade”, conta o empresário. Ele destaca que o que mais impressionou é a parte gerencial, assim como a organização e a limpeza da empresa, que conta com duas prensas gigantes para realização do trabalho, e está instalada em uma área de 28 hectares e onde as coisas são realizadas de forma sincronizada. “É uma empresa modelo da Alemanha”, completa. “Dos resíduos do papel é produzida 50% de sua energia. Temos que levar para o Brasil essas experiências para sermos o mais ecologicamente possível.”

Além disso, Braga destaca que a empresa também investe no conhecimento de seus funcionários. Os alunos estudam pelo período de três anos e podem escolher entre quatro tipos de curso: administração, mecânica, tecnologia do papel e eletrônica. Neste período, cada um recebe mil euros e são contratados da empresa.

Fonte: Jornal da Manhã - Ijuí

sábado, 13 de agosto de 2016

ALEMANHA E BRASIL DISCUTEM PROTOCOLO NA ÁREA DA SEGURANÇA


Membros da Comitiva DEULA-Brasil, na Academia de Polícia de Nienburg, Baixa Saxônia.
Integrando a comitiva formada por oito empresários ijuienses à Alemanha, viabilizada pela Deula-Brasil, o delegado regional de Polícia, Ricardo Miron, aproveitou para visitar a Academia de Polícia do Estado da Baixa Saxonia, que possui mais de 2,2 mil alunos, e também para conhecer a estrutura e funcionamento da central regional da polícia de Nienburg, na quinta-feira. A partir destas visitas, Miron recebeu um convite da polícia alemã para fazer um protocolo entre Brasil e Alemanha, na área de conhecimento e técnicas policiais, envolvendo o Rio Grande do Sul e a Academia de Polícia.

O delegado gaúcho destaca a estrutura da Academia oferecida aos alunos durante o período de três anos, que também possui um convênio com o exército alemão, por meio do qual são realizados treinamentos práticos de tiro e força física, onde o aluno participa de operações de rua, no enfrentamento de situações do cotidiano, com casos reais. “Inclusive nosso grupo testemunhou a representação de um desses casos, de um bêbado dentro de um bar que precisava ser retirado e acompanhamos todo o desenrolar disso, qual o tratamento dispensado pela polícia alemã para casos como esses, encaminhamento para a delegacia e a partir disso”, contou Miron, com exclusividade ao Jornal da Manhã, diretamente da Alemanha.

Miron acentua que a Alemanha possui uma polícia única, e esse é seu principal diferencial em relação ao Brasil. O curso qualifica como profissional. "O aluno tem que se dedicar, iniciando como tenente e galgando o cargo de coronel", salienta. Além disso, o delegado revela interesse da Academia de Polícia de Nienburg de fazer uma aproximação com a polícia brasileira, principalmente do RS. "Ele nos pediu para que façamos um contato, iniciando um protocolo de intenções para que no futuro possamos fazer uma troca de conhecimento e de técnicas policiais, porque eles também têm muitos turistas brasileiros, assim como nós, então é muito válido para ambos", relata Miron. Para ele, a proposta é válida e pode significar um intercâmbio de qualificações no futuro. O presidente da Deula-Brasil, Erlo Endruweit, acompanhou o delegado nas visitas, assim como os demais integrantes da comitiva.

Fonte: Jornal da Manhã - Ijuí

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

NOVOS ESTAGIÁRIOS SE ADAPTAM À ROTINA DO EINTERCÂMBIO NA ALEMANHA


Novos estagiários e membros da comitiva de representantes de entidades de Ijuí, na Chegada, no Aeroporto de Hannover, Baixa Saxônia.
Um grupo de 25 estagiários está na Alemanha desde o dia 10 de agosto, participando do Programa de Aperfeiçoamento Profissional em Agropecuária na Alemanha, promovido pela DEULA-Brasil. No país europeu foram recebidos pela diretoria da DEULA, na sede da sua escola técnica, na cidade de Nienburg, no Estado da Baixa Saxônia. Após alguns dias de preparação com professores alemães, serão encaminhados para as propriedades rurais, onde irão conviver com as famílias rurais participando das atividades diárias, nas mais diferentes funções e áreas produtivas.

Nestes primeiros dias, eles terão que se adaptar ao modo de vida, à rotina de trabalho e ao convívio com suas famílias, além, claro, de acostumar-se com a língua alemã e seus diferentes sotaques. Os estagiários permanecerão pelo período de um ano na Alemanha, onde, mais do que o trabalho nas propriedades, participarão de cursos de formação em diferentes períodos, junto à DEULA-Nienburg. Conforme o presidente da DEULA-Brasil, entidade sem fins lucrativos sediada em Ijuí, Erlo Endruweit, que acompanhou a comitiva, o grande ganho do intercâmbio não será a forma de plantio ou colheita, até porque as culturas na Alemanha, muitas delas são diferentes, assim como as tecnologias usadas. No entanto, para ele, o grande benefício será absorver a organização das propriedades rurais e seus proprietários na execução das atividades diárias, com planejamento em curto, médio e longo prazo. Além do trabalho, os jovens terão períodos de folga, incluindo férias, onde poderão conhecer a Alemanha e outros países da Europa, suas características, a cultura, entre outros pontos. Além de não terem despesas nas propriedades onde vivem eles recebem ajuda de custos mensal.

O grupo que foi à Alemanha era formado ainda por uma comitiva de oito pessoas, representantes de entidades e empresas ijuienses, entre elas a membros da Polícia Civil, da Associação Comercial e Industrial de Ijuí (ACI), do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), Ceriluz e empresários. Estes participarão de um roteiro de atividades, que inclui visitas à Academia de Polícia do Estado da Baixa Saxônia, a uma fábrica de papel em Hoya, ao Hospital de Nienburg e propriedades rurais locais, e visitas à Berlin, Hamburgo e outras importantes cidades alemãs. O grupo retorna ao Brasil no dia 20 de agosto. 


Por AGUATONICA informação Estratégica
Jornalista: Vilson Wagner

terça-feira, 5 de julho de 2016

MILCHHOF JOHANNING: CONHEÇA A FAZENDA ALEMÃ QUE VEM INOVANDO PARA SOBREVIVER À CRISE EUROPEIA

Guilherme Ristow, estagiário DEULA-Brasil
Finalizando seu programa de estágio promovido pela DEULA-Brasil, Guilherme Ristow publicou no site MilkPoint um depoimento sobre sua experiência em terras alemãs nos últimos meses. Ele reforça a experiência vivida como um diferencial em sua vida, onde vem assimilando novas tecnologias e novas formas de pensar a administração de propriedades rurais. Reproduzimos abaixo o texto, para conhecimento de nossos visitantes.

"Vivendo há quase 11 meses em uma fazenda de gado leiteiro no estado da Baixa Saxônia, cidade de Rehden, Alemanha, fui convidado a compartilhar com os leitores do MilkPoint um pouco da minha experiência e ponto de vista com relação as práticas realizadas pelo setor leiteiro alemão. Na fazenda, minhas atividades são variadas, indo desde a alimentação dos animais, ajuda na ordenha e manejo do silo, até o manejo reprodutivo, aplicação de medicamentos, casqueamento e atividades operacionais da fazenda. A propriedade produz 3.400 litros de leite por dia e no momento, 115 vacas estão em lactação, com média de 30 litros/vaca/dia. 

Todos nós sabemos das dificuldades encontradas pelos produtores da cadeia leiteira - tanto brasileira quanto internacional. Os custos para produzir um simples litro de leite são altos e vão desde produzir o alimento das vacas até os gastos com funcionários, assistência técnica veterinária, aquisição ou criação de animais para a reposição do plantel, custos operacionais da propriedade entre vários outros.  

O litro do leite vendido diretamente do fazendeiro para a leiteria custa - nesse exato momento que escrevo - pífios € 0,19 (acredite ou não, o leite está mais barato que água), tornando a lucratividade da atividade extremamente baixa. Além do alto custo de produção, desde 15 de abril de 2015, acabaram as cotas que impunham limite de litros de leite produzidos por produtor, levando muitos do setor a adquirirem novas terras e mais animais em busca de novos mercados consumidores. A nova realidade levou o continente europeu a uma "superprodução", aumentando drasticamente a oferta de produtos lácteos, despencado os preços. A situação agravou-se com a diminuição da importação de leite em pó pela China, cujo mercado era expressivo para o escoamento do produto alemão.  

Indo na contramão da realidade de muitos produtores que não conseguem ser eficientes, a fazenda Milchhof Johanning na qual eu trabalho – que possui 120 hectares 100% destinados à atividade leiteira - resolveu inovar e começou a comercializar o seu próprio leite não pasteurizado direto ao consumidor. Pelo valor de € 1,00 o litro, oferece um produto fresco, higiênico, barato e delicioso, tudo isso por um preço justo, tanto para quem compra, quanto para quem vende.  

Em termos de novidade, a máquina, que é chamada de "Milchtankstelle” (e que admiro muito!) teve um investimento inicial de € 9.000. O valor é relativamente alto, porém, ela pôde ser paga rapidamente já que uma média de 60 litros por dia é vendida. A máquina é uma forma muito interessante de elevar a rentabilidade da fazenda e, sua utilização, seria muito positiva na cadeia leiteira brasileira, mas, resta saber se nossa legislação um dia permitiria a venda do leite não pasteurizado.  

Muitos talvez estejam se perguntando como é feita a fiscalização desse leite. Ela simplesmente não acontece, pois cada produtor preza por sua dignidade e não seria do interesse deles vender algo estragado para a sua "própria vizinhança”, sendo assim, para a realidade alemã, a "Milchtankstelle" vai bem, obrigado!

Números da fazenda e estrutura física  

A fazenda possui três galpões de animais:
1) vacas em lactação;
2) final da recria e vacas não lactentes;
3) maternidade, bezerreiro, animais desmamados, enfermaria e início da recria.
 

O galpão do leite aloja 120 vacas, as quais são ordenhadas três vezes ao dia pelo sistema robótico "Sac-Insentec” (marca holandesa) e possui também um semiconfinamento durante os meses que temos oferta de pasto (primavera e verão).  

Os alimentos das vacas são servidos duas vezes ao dia. Eles são frescos e são fornecidos no período da manhã e no fim da tarde. A silagem fornecida é composta basicamente por cinco ingredientes: 63% grassilage (silagem de pastagem), 21% maissilage (silagem de milho), 9% lieschkolbenschrot (silagem de espiga do milho), 6% maismehl (grão úmido do milho) e 1% mineralfutter (mineral). A silagem de pasto usada na dieta total constitui-se de quatro espécies de pastagem, as quais se chamam Deutsches weidelgras (Lolium perenne - azevém), Wiesenschwingel (Festuca pratensis - festuca), Lieschgras (Phleum – capim timóteo) e Knaulgras (Dactylis glomerata – capim dos pomares ou dátilo), sendo a espécie predominante a “Deutsches Weidelgras” que possui características de rápido crescimento.



A recria é 100% realizada dentro da fazenda "Milchhof Johanning”. Nas duas primeiras semanas de vida os bezerros são alimentados exclusivamente com leite e depois passam a ocupar um bezerreiro coletivo com uma máquina automática de aleitamento, a qual mistura o sucedâneo à água, fornecendo leite ao animal até os 60 ou 70 dias de vida. 

Durante o pré-desaleitamento os animais consomem alimento concentrado à vontade juntamente com o feno. A área da fazenda é dividida em pastos, trigo, centeio, triticale e milho. A preparação do solo, adubação, espalhamento dos dejetos dos animais no campo e o monitoramento são realizados pelos próprios funcionários. A única fase terceirizada é a da colheita. 

O manejo reprodutivo é muito eficiente, o cio é frequentemente detectado com a ajuda do transpônder que contabiliza os picos de atividade do cio da vaca, indicando com relativa precisão a hora adequada para inseminar. O protocolo reprodutivo usado nos animais "problema" (que não são identificados nas atividades reprodutivas) é o OVYSINC, o qual apresenta resultados satisfatórios.  

Prioriza-se a primeira inseminação entre os 15 e 18 meses de idade. As vacas parem o primeiro bezerro entre os 24 e 27 meses. A média de duração da lactação é de 305 dias, secando-as 60 dias antes do parto. Durante a secagem, o alimento total fornecido é prioritariamente fibroso, fazendo com que as vacas entrem na lactação com ECC (Escore de Condição Corporal) entre 3,5-4. Três vezes por ano, todas as vacas são casqueadas e a cada 2 meses, todo o rebanho passa pelo pedilúvio de desinfecção de cascos, fazendo com que haja uma baixa incidência de problemas relacionados aos membros locomotores.


A segunda inovação que mais me impressiona no sistema implementado é o funcionamento do robô. A instalação e início das atividades custaram em torno de € 120.000, dos quais 30% do valor foram pago com o auxílio de empréstimo do governo do estado, facilitando a aquisição pelos produtores.  

O robô trabalha 24 horas por dia, ordenha duas vacas ao mesmo tempo e possui apenas um braço automático para a colocação das teteiras no animal. Um percentual de 90% das vacas é ordenhado sem a ajuda de funcionários, sendo que as vacas que não se dirigem a ordenha devem ser buscadas e encaminhadas para a mesma, demandando 3 horas de atividade diariamente - metade do tempo pela manhã e o restante no final do dia.
Há varias vantagens que o robô proporciona, entre elas, está o índice de detecção de mastite, o qual funciona com um valor formado por quatro parâmetros: condutividade do leite, presença de sangue, intervalo entre ordenhas e fluxo de leite. Todos os fatores estão relacionados com a possibilidade de alguma infecção no animal.
 

Outras vantagens ainda são a separação do leite fora dos padrões de qualidade (colostro, leite com medicamento e leite de vacas com mastite), diminuição da mão de obra, higiene e principalmente, melhora no aspecto do bem estar animal, haja vista que as vacas se dirigem para a ordenha por livre e espontânea vontade, diminuindo o estresse consideravelmente. O sistema que rege o robô está atrelado a uma porteira automática que dá acesso ao pasto (tornando o sistema um semiconfinamento nos meses quentes do ano). A porteira faz a leitura do transpônder na vaca, dando acesso a pastagem para as vacas que já foram ordenhadas, funcionando como um esquema de feed back positivo pelo leite produzido.  

A terceira e última inovação que vale ressaltar foi a construção da própria leiteria da "Milchhof Johanning", evitando assim a venda do leite por preços injustos para as leiterias concorrentes. O litro de leite que seria vendido por € 0,19, agora é transformado em iogurte, queijo, leite pasteurizado e sorvete, sendo revendido com um alto valor agregado ao consumidor.  

A realidade de muitos não permitiria o investimento em maquinário e infraestrutura para abrir sua própria leiteria, no entanto, aqui a realidade é essa, pois o preço do leite vem caindo e, para o produtor continuar competindo, ele deve encontrar saídas estratégicas para se manter no mercado. Caso contrário, apenas os produtores realmente eficientes sobreviverão".

Por Guilherme Ristow

Estudante de medicina veterinária CAV-UDESC LAGES, atualmente trabalha em uma fazenda de gado leiteiro no estado da Niedersachsen (Baixa Saxônia - Alemanha).

Acesse aqui a matéria original